[Resenha] Bem Mais Perto, de Susane Colasanti.


Eu tinha boas expectativas com esse livro. Com a autora, num geral, porque desde que comecei a ler livros em inglês, sempre tive vontade de ler algo da Susane. Então, imagine minha felicidade ao saber que a Novo Conceito ia lançar um livro dela? Pois é. Claro que não era o que eu mais eu estava interessada, mas, mesmo assim, eu torcia para que fosse legal (SE PASSAVA EM NY!!).



“- Muitas pessoas comem cupcakes – digo.

- Não. Só as pessoas que são muito legais.” (pág. 207)



E... Que decepção. A história conta sobre a vida de Brooke, uma adolescente meio problemática, com pais separados e meio obsessiva por um colega, Scott. E, quando ela finalmente resolve conta-lo como ela se sente, descobre que ele está indo embora pra Nova York. Nova York, o mesmo lugar onde seu pai, com quem ela não fala há anos, mora. Sem pensar duas vezes, Brooke resolve seguir Scott até NY, munida de coragem, além da grande vontade que sempre teve de morar na cidade que nunca dorme.



“O que mais gosto no origami é que sempre tem alguma coisa nova. Você nunca consegue dominar tudo o que tem para aprender, quer seja uma criação mais difícil do a que acabou de fazer, quer seja uma completamente nova, na qual ninguém tinha pensado ainda. Você sempre pode fazer melhor do que antes.

Você sempre tem uma nova chance.” (pág. 33)



Viu? O plot não era dos melhores – eu não sou fã dessas histórias de protagonistas obsessivas por meninos – mas podia ter uma protagonista legal e se passava em um lugar incrível. Só que não foi assim que aconteceu. Brooke... Como começar a falar dela? Ela é um saco. Na verdade, ela é incrivelmente inteligente, mas, por causa de alguma rebeldia contra um inimigo invisível, ela não quer aproveitar seu potencial. Ela não VALORIZA sua inteligência. Já fica difícil gostar de uma protagonista assim, mas, além disso, ela é simplesmente... Irritante! Seu relacionamento com Scott, a maneira como ela sofreu por um canalha como ele, o modo que ele pensava e grande parte dos motivos que a fizeram mudar pra NY. Eles não foram bons. Não foram desenvolvidos de um jeito legal.



“(...) Papel achado é vida real. Vida real não está limitada por dimensões precisas. Ela se estende além das fronteiras, vem com falhas. As coisas nunca são fáceis, particularmente quando você espera que elas sejam. Como quando as pessoas o desapontam e se mostram inteiramente diferentes do que você achou que eram.

Às vezes, as pessoas podem ser muito destrutivas.”(pág 33)



Porém, esse livro também tem coisas boas – o amigo de Brooke, John, é uma peça rara. Ele é incrível, simplesmente. Tem um talento pra ver coisas que ninguém mais vê e, graças a Deus, ajuda a Brooke a crescer e mudar o comportamento chato dela. E me desculpe, uma parte dele pode até ser por causa de tudo que ela teve que vivenciar na sua vida, mas conheço gente que sofreu muitas outras coisas e, mesmo assim, não desiste, não se desvaloriza (porque é exatamente isso que ela faz quando não aceita seu próprio potencial!). Outra personagem bacana é a Sadie, uma das amigas que Brooke faz em NY. Ela é divertida, inteligente e toda certinha. Me identifiquei com ela e suas manias, acabei gostando dela bem mais que a própria protagonista.



“Goste de me identificar com a história que estou lendo, faz com que me sinta menos sozinha. Todos esses livros sobre pessoas muito felizes são tão cansativos! A vida real não é nem um pouco assim. Os melhores livros, os que me fazem ficar esperançosa, são aqueles em que os problemas das personagens são resolvidos realisticamente no final, e não convenientemente amarrados com um grande laço vermelho. Grandes laços vermelhos são uma enorme mentira.” (pág. 41 e 42)



Outra coisa que a Susane descreveu muito bem foi o próprio ambiente. Uma das coisas mais legais em Brooke é seu amor por NY e por origamis. Então, conforme Brooke passeava por NY, eu ia me apaixonando ainda mais por essa cidade, porque as descrições da Susane são mesmo muito boas – o que me dava forças para continuar a leitura, além do que, tenho certeza que as protagonistas dos outros livros dela não devem ser tão irritantes. Quanto aos origamis, é quase como a fuga que Brooke usa quando está triste ou deprimida. Achei tão interessante um hobby assim, ainda mais porque sou péssima nisso... Deve ser legal conseguir fazer tanta coisa com apenas um pedaço de papel.



“As pessoas destroem sua confiança e depois partem.

Você nunca consegue conhecer alguém completamente, não importa o quanto ache que conheça. As pessoas sempre omitirao partes de sua vida. Sempre haverá alguma verdade sobre elas que você nunca saberá.

Ou talvez, algum dia, você conheça a verdade que elas escondem e vai concluir que era melhor nunca ter descoberto.”(pág. 47)



Porém, uma coisa que eu desgostei: o final. Brooke bate tanto na tecla de que “o mundo não é um lugar perfeito e as coisas não são resolvidas magicamente” que é incrível a ironia que é o final: de repente, ela se toca de como esteve desperdiçando toda a sua inteligência com o nada. Isso é completamente raro de se acontecer, em minha opinião teria sido melhor mostrar um crescimento mais “lento” de Brooke. Foi muito em cima da hora e infelizmente, quando Brooke finalmente despertou na cidade que nunca dorme, foi rápido e irreal demais.



“John luta por mim, aconteça o que acontecer. Ele continua tentando derrubar as minhas paredes, nunca desiste de quem sou ou de quem eu poderia ser, não foge quando as coisas ficam complicadas. Mesmo quando John estava bravo comigo, não deixou que isso o impedisse de se importar comigo.” (pág. 219)



O livro me decepcionou, mas, mesmo assim, ainda tenho fé na autora. A Novo Conceito tá lançando outro livro dela, Esperando por você, e espero que esse seja bem melhor do que a minha primeira impressão com a Susane.


(Três estrelas - 7, 50)

Autor(a): Susana Colasanti
Editora: Novo Conceito
Ano: 2012 (Brasil) - 2011 (original)
Páginas: 240 (Brasil) - 241 (original)
Nome original: So Much Closer
Coleção: -

8 comentários:

  1. Adoro essa autora, o livro ta chegando aqui em casa, anciosa hahahaha!

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  2. Vi algumas resenhas nada favoráveis a este livro..mas acho que cada um tem uma opinião própria e gostaria de lê-lo.

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  3. É a segunda resenha que leio sobre este livro que não foi positiva. É uma pena!

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  4. Não vejo muitas resenhas boas desse livro mas espero gostar :T

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  5. Pra te falar a verdade não tocou meu coração esse livro não! Já havia visto e agora com sua opinião acho que deixarei ele de lado! Acontece né?! Hehehe boa resenha sua!

    Se não for muito incomodo, queria te fazer um convite:

    Visite meu blog literário - www.culturaviciante.blogspot.com

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  6. Realmente já ouvi muitas criticas sobre o livro, porém estou curiosa para lê-lo e ver se gosto!

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  7. É dificil encontrar alguém que tenha gostado do livro, é incrível! Eu não gosto muito desse estilo, por isso nem fiquei interessada, mas eu compreendo a sensação de ficar ansiosa por alguma coisa e se decepcionar.

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  8. nunca tinha ouvido falar desse livro. nao gosto de protagonistas assim, principalmente as que ficam correndo atrás de homens que nao valem nada. se eu tivesse lido, teria me decepcionado tb. gostei do jeito que voce fez a resenha :)) beijos, volte sempre ! www.portefeminino.com.br

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