[Resenha] Divergent, de Veronica Roth


Na resenha de Estilhaça-me, eu já tinha comentado sobre como os Distópicos eram a nova “moda literária”, e, coincidentemente, essa resenha também é de um desse tipo. Divergent (aqui no Brasil, Divergente) foi lançado pela Rocco recentemente por aqui, confirmando isso. Porém, raramente há muitas coisas parecidas entre os Distópicos, tirando a sociedade.

“’Nós acreditamos na coragem. Nós acreditamos em tomar uma atitude. Nós acreditamos na liberdade sobre o medo e em conquistar as habilidades necessárias para forçar o mal para fora de nosso mundo para que o bom possa prosperar e melhorar.’” (pág. 412)

De qualquer forma, eu já conhecia esse livro faz tempo, quando ouvi alguma blogueira internacional comentando sobre como a capa era linda e ela estava super curiosa com esse livro – antes mesmo de ser lançado lá fora. E, quando li a sinopse, foi amor à primeira vista: afinal, era um livro que parecia misturar ação e romance, além de se passar em Chicago, uma cidade que eu amo <3. Resumindo: minhas expectativas estavam bem altas, ainda mais porque as resenhas que eu tinha lido dele eram bem positivas.

“Eu percebi que uma parte de ser Dauntless é estar disposto a fazer coisas mais difíceis para que você seja autossuficiente. Não há nada especialmente corajoso em andar por ruas escuras sem lanterna, mas nós não devemos precisar de ajuda, nem mesmo da luz. Nós devemos ser capazes de qualquer coisa.
Eu gosto disso. Porque talvez chegue um dia onde não haverá lanterna, não haverá armas, não haverá uma mão guiando. E eu quero estar pronta para isso.” (pág. 138)

Então, após um bom tempo depois que eu já tinha o livro, finalmente consegui achar um tempinho para ler – e sem bobear, fui ler. E pode crer, é um ótimo livro!! Sem dúvidas, eu amei a sociedade que a Veronica Roth criou, toda divida em “facções”, como que catalogando as pessoas. Além de ter uma sociedade muito interessante – ainda quero saber muitas coisas sobre ela! – a trama também tem uma coisa fundamental num livro bem-escrito e com um plot bom: personagens com conteúdo. É bem raro eu gostar de verdade de alguma protagonista – geralmente eu até vou com a cara, mas não é “aquela coisa” –, porém, nesse caso, eu me identifiquei com a Beatrice/Tris (seu novo nome).

“‘(...) Mas se tornar destemido não é o objetivo. Isso é impossível. É aprender como controlar seu medo, e como se livrar dele, esse é o ponto.’
Eu concordo. Eu costumava pensar que os Dauntless eram destemidos. Eram como eles pareciam, de qualquer forma. Mas talvez o que eu visse como destemor fosse na verdade medo sob controle.” (pág. 239)

Ela é tão real... Quero dizer, na medida do possível, dá pra entender por que ela é como é, por que age dessa forma e a razão de suas grandes dúvidas. Claro que ela não é perfeita, comete alguns deslizes, mas não é como se fosse alguém burra, é alguém amadurecendo conforme o livro avança. E ficando mais interessante. Além dela, temos Four, um dos “treinadores” da facção que a Tris escolheu (não contarei qual é, apesar de que, para mim, foi bem óbvio), que tem todo um “passado obscuro” e com quem Tris, primeiramente, não vai com a cara. Porém, conforme as camadas de ambos vão saindo, é incrível como a relação deles vai se desenvolvendo, de um jeito fofo e... Normal. Nada apressado, ou meio louco, como existe em vários livros. Isso é um dos pontos fortes do livro, o romance, mas o legal é que a Veronica não se focou apenas nisso.

“Em algum lugar dentro de mim há uma pessoa que tem compaixão e que perdoa. Em algum lugar aqui há uma garota que tenta entender pelo o que as pessoas estão passando, que aceita que elas façam coisas ruins e que o desespero as leva para lugares mais escuros que elas sequer imaginaram. Eu juro que ela existe, e que ela se comove com o menino arrependido que vejo em frente a mim.
Mas se eu a visse, não a reconheceria.
‘Fique longe de mim’, eu digo quietamente. Meu corpo está rígido e frio, e eu não estou brava, não estou machucada, não estou nada. Eu digo, minha voz baixa, ‘Nunca mais chegue perto de mim novamente’.
Nossos olhos se encontram. Os seus escuros e de vidro. Os meus, nada.
‘Se você chegar, eu juro por Deus que eu te matarei’, eu digo. ‘Seu covarde’.” (pág. 300)

É óbvio, Tris é “especial”. Vamos ser francos, ninguém escreve um livro sobre mais uma pessoa numa sociedade distópica. Geralmente é alguém que vai fazer algo grande. E, claro, para que entendamos como isso irá acontecer, é preciso que o livro seja bem-escrito – e eu já comentei como eu gostei da escrita da Veronica, né??? Então, claro, nisso ela não decepcionou. Na verdade, eu adorei essa parte essencial da história, que é a sociedade, como ela funciona e – um pouco – o que a protagonista vai fazer. A forma como a sociedade se organiza nesse livro não é tão diferente do que nós mesmos fazemos – tirando que nós não deixamos tão claro quem é da onde (afinal, quem nunca falou de “nerds”, “populares”, “emos”, etc.?). Ela é separada por quatro facções, como já disse, cada uma com uma característica, obrigando (mesmo que inconscientemente) as pessoas a tentarem a se encaixar em pequenas caixinhas.

“Ele diz ‘Eu tenho uma teoria que generosidade e coragem não são tão diferentes. Toda a sua vida você esteve treinando para esquecer-se de si mesma para que, quando você estiver em perigo, isso seja o seu primeiro instinto.’” (pág. 336)

Isso é uma das coisas mais questionadas, no livro inteiro: por que temos que fazer isso? Por que temos que escolher apenas uma? Por que, se formos diferentes dos nossos familiares, temos que nos separar deles? Por que temos que ser só corajosos, honestos, generosos, inteligentes ou pacíficos? É como quando pedem para que você escolha uma etnia numa prova, e você é, por exemplo, descendente de um negro e um índio. Sem contar que, e se você não for nenhuma das opções acima? Eu adorei como isso foi questionado, e ganhando forma conforme a história mudava.

“‘Eu acho que cometemos um erro,’ ele diz delicadamente. ‘Nós todos começamos a esnobar as virtudes das outras facções em virtude da nossa própria. Eu não quero fazer isso. Eu quero ser corajoso, e generoso, e esperto, e bondoso, e honesto.’” (pág. 405)

Além de todos esses pontos que me agradaram bastante, esse livro é rápido. Claro que, por ser o primeiro de uma série, ele não conta tudo e sim nos introduz a essa sociedade, principalmente à facção que Tris escolheu. E ela faz isso muito bem, de uma maneira que não fique tediosa. Além disso, no final as coisas ficam bem “loucas” – é uma boa palavra pra descrever como a situação ficou. Eu gostei disso, porque deixa os leitores com “água boca” para o próximo livro (Insurgent, já lançado lá fora), além de ter alguns acontecimentos bem surpreendentes – se eu fosse do tipo “mais sensível”, provavelmente teria me emocionado ainda mais.

“Ele dobra sua cabeça e me beija delicadamente.
‘Então todo mundo vai poder te chamar de Six.’
‘Four e Six’ Eu digo.
Nós nos beijamos novamente, e dessa vez, me parece familiar. Eu sei exatamente como nós nos encaixamos juntos, seu braço em volta do meu quadril, minhas mãos em seu peito, a pressão de seus lábios nos meus. Nós temos um ao outro memorizado.” (pág. 407)

Enfim, é uma ótima leitura. Mostra uma sociedade muito bem-construída, protagonistas e coadjuvantes bem interessantes e daqueles que você acaba criando carinho, além de um potencial muito grande. Espero poder ler a continuação o mais rápido possível ;)

“‘Eu tenho uma coisa para te contar,’ ele diz.
(...) ‘Eu talvez esteja apaixonado por você.’ Ele sorri um pouco. ‘No entanto, estou esperando até eu ter certeza para te contar’.
‘Que sensível da sua parte,’ eu digo, sorrindo também. ‘Nós deveríamos achar um papel para que você possa fazer uma lista ou um gráfico ou coisa assim.’
(...) ‘Talvez eu já tenha certeza,’ ele diz, ‘e eu simplesmente não quero te assustar.’
Eu rio um pouco. ‘Então você deveria ter pensado duas vezes.’
‘Tudo bem,’ ele diz. ‘Então eu te amo.’” (pág. 486)

Nível de dificuldade da leitura (inglês): fácil.

+ Favorito!
(5 estrelas - 10,0)


Autor(a): Veronica Roth
Editora: Katherine Tegen Books
Ano: 2011 (Original)
Páginas: 487 (Original)
Nome original: -
Coleção: Divergent (#1)

2 comentários:

  1. Doido pra ler esse livro, mas ainda está meio caro e to sem dinheiro kkkk :)!! Assim que der vou adquirir ! Bjssssss

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  2. Oi Isa!!!
    Nossa, assim que bati o olho na sua resenha, achei que ia ter um monte de spoilers pela quantidade de quotes, mas quando terminei de ler fiquei aliviada kkkkkk. Continue escrevendo resenhas assim *-*
    Agora em relação ao livro: faz tempo que eu quero ler, e estou desesperada desde que ele foi lançado aqui no Brasil (sou uma tapada com inglês), e essa história da sociedade dividida em facções paece legal demais para ser deixada de lado :-)
    Adorei seu blog, e já estou te seguindo flor
    Bjks
    Paty
    http://abajurdepapel.blogspot.com.br/

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